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25/04/2012

Acampamento


Eu não posso verificar o que estou prestes a lhe dizer. Isso não aconteceu comigo. Aconteceu com alguém que eu conheço. Sendo assim, há uma boa chance de você que está lendo isso não acreditar que é verdade.


Talvez você diga isso a si mesmo para se sentir melhor. Para você é fácil fazer isso. Você não viu a sinceridade assustadora nos seus olhos quando ela me contou o que aconteceu. Você não precisou pedir a ela para terminar de contar, quando ela estava gaguejando demais para poder continuar. Você não estava lá para sentir o medo dela como se fosse o seu. Se você estivesse, você saberia tão bem quanto eu que o que eu conto é verdade.

Minha amiga frequenta a faculdade no norte da área metropolitana de Nova Iorque. Ela faz camping e caminhadas lá. Ela também gosta de ir acampar sozinha nas montanhas, para comungar com a natureza ou algo do tipo. Normalmente, ela passa o final de semana inteiro, saindo logo após suas últimas aulas da sexta-feira, e voltando só na tarde do domingo. Ela raramente leva alguém com ela, pois prefere admirar a beleza da natureza sozinha.

Bom, ela costumava fazer tudo isso. Até a última vez que ela foi.


Foi no fim do outono do ano passado. Ela foi para as montanhas, como sempre fazia. Levou um par de câmeras descartáveis, que ela usou para tirar fotos da vida selvagem, árvores, paisagens e todas as coisas maravilhosas que existem lá. Durante todo o final de semana, não encontrou nenhum outro ser humano, nem mesmo sinais de acampamentos passados. Em outras palavras, ela passou o fim de semana completamente isolada.

No domingo ela voltou para a civilização, sentindo-se revigorada. Levou as fotos para serem reveladas, pois havia usado todo o filme da câmera na viagem, e seguiu sua vida cotidiana. Na terça-feira, ela voltou para buscá-las.

Ela as levou as fotografias para seu dormitório, e começou a admirá-las. Havia fotos de veados, árvores, do nascer do sol... todas que ela havia tirado. Mas, no meio do caminho, ela encontrou algo que a deixou perplexa.

Em suas mãos estava a foto de uma menina dormindo na barraca, tirada de cima, como se o fotógrafo estivesse inclinado sobre ela. Com o flash que iluminou o rosto da garota, ela pode perceber claramente quem era.

Era ela mesma.
Desesperada, ela folheou o resto das imagens rapidamente, mas eram todas as mesmas fotos que ela havia tirado anteriormente, de paisagens e vida selvagem.

Ela ficou encarando a foto, tentando encontrar alguma explicação lógica, mas não conseguia. Então ela olhou a foto bem de perto, e pôde ver algo atrás de si, na sombra e fora de foco. Algo torcido. Algo estranho.
Algo como uma mão a alcançando.


Traduzido e adaptado por mim.

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